Ideias de Papel e Caneta (Diário Gráfico).

Mostra-me o teu diário gráfico e eu dir-te-ei quem és.

Para muitas pessoas um diário gráfico é um pequeno caderno em que alguém desenha regularmente de modo a captar momentos, paisagens e expressões.
E isto é algo que se recomenda, como passatempo um diário gráfico é uma excelente forma de praticar a destreza, a síntese e a capacidade de desenhar.

Funchal
Rua das Hortas, Funchal.

E que seja de notar que por muito bem ou mal que um sujeito ache que desenha, um diário gráfico pode ser tão fulcral para um escultor ou pintor, como para um economista, engenheiro ou chef de cozinha.

O acto de desenhar trás uma mistura de sentimentos que nos são muito conhecidos e que tal qual nas nossas mais variadas personalidades e humores, os desenhos adoptam a forma daquilo que sentimos e vemos. A paz e serenidade de um bom café no meio do parque Eduardo VII com a frustração de não acertar na proporção daquela árvore.

Mas é disso que um diário gráfico é composto, das imperfeições de um registo rápido e sintetizado de um objecto, pessoa, paisagem ou situação, aliados a uma mudança de humor do desenhador mediante as situações envolventes e as acções praticadas.

Muitas outros sujeitos terão ideias distintas daquilo que é um diário gráfico e como a celebre frase de Thomas Jefferson não se aplica neste caso, nem todos os diários gráficos são criados iguais.
Um diário gráfico, só o é quando possui conteúdo e de sujeito para sujeito, o conteúdo vai dispersando e variando por entre a infinidade de coisas que podemos registar num pequeno caderno de folhas brancas.

 

Naked
Esboço “Feminam”.

A infame espécie de desenhadores que vagueiam pela nossa realidade têm um panóplia de métodos e estilos diferentes de captar aquilo que lhes vai na visão. Desde lápis, que não são nada recomendados pelos grandes mestres do desenho, passando pelas comuns esferográficas e culminando em aguarelas entre muitos outros objectos com portabilidade suficiente para serem vitimas da nossa criatividade. E não se restrinjam aos cadernos, passamos pelos guardanapos, toalhas de mesa, panfletos duvidosos de compra e venda de automóveis, recibos do banco, etc…

 

Thing
Leshen.
Caveira
Craneo.

Para muitos de vós um diário gráfico pode ser o espaço ideal para criar, registar ideias, fazer acontecer antes de se fazer realmente acontecer.

A minha ideia de um diário gráfico paira muito sobre “o primeiro passo para criar”. Eu que sou Designer de profissão, tenho um diário gráfico, quer dizer, tenho vários diários gráficos. Porque para mim embora um diário gráfico possa ter todas as definições e utilidades supramencionadas, é a ferramenta base para criar e é através do desenho que isso acontece.

Uma ideia começa a partir do momento em que sai da nossa cabeça, um passo tão simples como esboça-la pode ser o inicio de um descarrilar mental de genialidade.
A liberdade total de trabalhar a ideia com uma caneta, um bocado de papel e aquilo que nos vai na mente e alma, sem ferramentas complicadas, nem programas de edição.

Gerar ideias para marcas, esboçar cartazes, layouts, wireframes e conceitos gráficos, fazer produtos, prédios, pratos de comida e colunas de cerveja.

IADE_UE
Esquema IADE, IPAM e Universidade Europeia.
Ideias
Criação e esboço de marca.

Fazer um registo, trabalhar a criatividade, gerar conceitos, apontar ideias.

Coisas que este humilde desenhador recomenda:
– Que toda gente usufrua do seu direito humano de possuir um diário gráfico.
– Que não usem lápis/grafite, pois estarão sempre tentados a apagar os vossos erros e não a resolvê-los ou contorná-los.
– Que experimentem esta coisa do diário gráfico no mínimo durante 30 ou 31 folhas.
– Que façam no mínimo um desenho por dia.

E o porquê destas minhas recomendações e da minha defesa da utilização de um diário gráfico, já dizia o meu grande mestre, Escultor Madeirense Luís Paixão, o desenho liberta a cabeça, a alma, a criatividade, mas liberta sobretudo o ser humano que há em nós.

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